A INCRÍVEL VIAGEM DE SHACKLETON

Era o verão de 1914, e, ao mesmo tempo em que eclodia a Grande Guerra, Sir Ernest Shackleton partia de Londres a bordo do Endurance para uma das mais extraordinárias aventuras humanas já registradas. O objetivo da Expedição Imperial Transatlântica era cruzar o continente antártico, passando pelo Polo Sul. Ao todo, compunham a expedição 28 homens, com experiências muito diversas, sob o comando do irlandês Shackleton.

Sir Ernest Shackleton

Mudanças nas condições climáticas, no entanto, fizeram com que o Endurance ficasse preso no gelo a apenas um dia do ponto de desembarque. A situação se prolonga por diversos meses, e a condição em que estavam foi descrita por um dos membros da tripulação como parecendo ser a de "uma amêndoa numa barra de chocolate".

O Endurance preso no gelo

Se essa condição, por si só já pode ser considerada terrível (a temperatura chegou a marcar -28°C, e durante longos meses não havia um segundo sequer de claridade), com a chegada da primavera tudo começou a piorar gravemente. O degelo causado pelo aumento da temperatura desprendeu grandes blocos de gelo que, por sua vez, começaram a imprimir fortíssimas pressões sobre o Endurance, até que ele naufragou, completamente destruído.
Com poucas provisões, armados de três pequenas embarcações salva-vidas (que ainda não podiam ser lançadas no mar, uma vez que o gelo ainda não permitia navegações), os 28 homens passaram cerca de 6 meses em banquisas de gelo inóspitas e perigosas. Quando finalmente as condições permitem, começam a tormentosa travessia para a terra firme, chegando à ilha Elephant.
A partir dessa ilha, um grupo de 6 homens empreendeu a que foi, seguramente, uma das mais difíceis e arriscadas viagens pelas águas de que se tem notícia. Sob o comando de Ernest Sheckleton, percorrem, em uma embarcação que estava longe de ser a mais adequada, uma distância de 800 quilômetros pela temida passagem de Drake. Depois de 2 semanas, desembarcam em um extremo da ilha Geórgia do Sul, percorrendo-a a pé e quase sem nenhum equipamento, chegando finalmente a estação baleeira norueguesa, de onde retornam em uma expedição de resgate que finalmente coloca em segurança todos os 28 marinheiros.

Imagens da expedição feitas por James Francis, fotógrafo oficial da expedição

A aventura, escrita por Alfred Lansing no livro "A incrível Viagem de Shackleton" (Sextante, 2004), mostra como conseguimos nos adaptar e sobreviver a situações praticamente inimagináveis. Com o propósito único de sobreviver, os limites da resistência são estendidos ao máximo e a superação deles pode alcançar medidas inacreditáveis.
Não à toa, Guilherme Benchimol, fundador da XP, afirmou sobre o livro: Quando me perguntam meu livro preferido, nunca respondo um livro de negócios mas uma história, inacreditável, de superação.
As imagens feitas após o resgate dão mostras das condições terríveis que os aventureiros enfrentaram:


A aventura toda dura quase dois anos, e, embora cada um tenha, de alguma maneira, contribuído para a salvação do grupo, destaca-se a postura sempre confiante e decidida (algumas vezes até demais) do comandante Shackleton, responsável por manter todos em um estado de espírito que permitisse continuar lutando pela sobrevivência. Resistência, superação, resiliência, liderança, tudo isso combinado em uma aventura de tirar o fôlego.





Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

ENTREVISTA COM JEOVÁ BATISTA DA SILVA

O P/L de uma ação como medida de racionalidade do investidor

A Sabedoria da Babilônia: Por que os Jovens Precisam Aprender sobre Educação Financeira